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PF indicia 33 por cartel de trens em São Paulo; Vejam a lista

Mario Bandeira e José Luiz Lavorente estão entre os 33 indiciados por irregularidades em projetos da estatal de transportes de SP

5 05UTC dezembro 05UTC 2014 Às 00:12

A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o cartel metroferroviário que operou em São Paulo entre 1998 e 2008. Foram indiciados 33 investigados por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de cartel e crime licitatório. Cerca de R$ 60 milhões dos alvos estão bloqueados. O inquérito chegou à Justiça Federal na segunda-feira.

Entre os indiciados estão servidores públicos, doleiros, empresários e executivos de multinacionais do setor que teriam participado do conluio para obter contratos com o Metrô de São Paulo e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). “A vítima é a sociedade”, avalia a Polícia Federal.

As duas estatais “foram usadas, foram vítimas” do ajuste das empresas. O relatório final mostra que ex-dirigentes foram enquadrados, como João Roberto Zaniboni, que integrou os quadros da CPTM entre 1999 e 2003. Também foi indiciado o consultor Arthur Teixeira, apontado como lobista e pagador de propinas.

O ex-governador e senador eleito José Serra (PSDB), intimado para depor como “investigado”, não foi indiciado. A PF não identificou ligação do tucano com o cartel, nem com crimes transnacionais (lavagem de dinheiro e evasão).

Serra foi citado por um ex-executivo da Siemens, Nelson Marchetti, segundo o qual o então governador paulista, em 2008, o teria advertido para que a multinacional alemã não entrasse com ação na Justiça contestando a contratação da espanhola CAF na licitação para compra de 384 carros da CPTM. Serra desmentiu o executivo.

Em acordo de leniência firmado em 2013 com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Siemens revelou que o cartel agiu durante pelo menos uma década – governos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB.

Delator

Em outubro de 2013, a PF tomou depoimentos de dois ex-diretores da Siemens, em delação premiada. Everton Rheinheimer, um dos delatores, citou deputados como supostos beneficiários de propinas do cartel.

Os autos foram remetidos ao Supremo Tribunal Federal, que detém competência para processar parlamentares. Em fevereiro de 2014, o STF devolveu à PF em São Paulo a parte da investigação que não atinge autoridades com foro privilegiado. A PF deu início a uma longa bateria de depoimentos e laudos financeiros que confirmam o fluxo de recursos ilícitos em contas dos suspeitos.

Alguns investigados já haviam sido indiciados antes da remessa do inquérito ao STF. A outra parte foi enquadrada após o retorno dos autos.

Os alvos foram indiciados a partir de envolvimento com ilícitos de competência federal – os crimes transnacionais, evasão e lavagem, e os crimes conexos, cartel e violação ao artigo 92 da Lei de Licitações por mudanças de contratos.

A delação de Rheinheimer foi ratificada pelas provas reunidas no inquérito. A PF empenhou-se em cumprir sua missão para não deixar sem resposta a sociedade sobre o cartel.

Os quase R$ 60 milhões dos investigados já tinham sido embargados pela Justiça em outubro de 2013, a pedido da PF. Os ativos continuam bloqueados.

O advogado Eduardo Carnelós, que defende Arthur Teixeira, rechaça a suspeita. “O sr. Arthur nunca foi lobista.”

Zaniboni mantinha conta secreta na Suíça com saldo de US$ 826 mil. O dinheiro, segundo seu advogado, Luiz Fernando Pacheco, já foi repatriado pelo próprio Zaniboni, com recolhimento de impostos. Ontem, uma delegação de procuradores e promotores brasileiros iniciou em Berna reuniões com o Ministério Público da Suíça. A meta é identificar o percurso do dinheiro encontrado em contas em Zurique.

VEJA A LISTA DOS 33 INDICIADOS PELA POLÍCIA FEDERAL NO INQUÉRITO DO CARTEL DOS TRENS EM SÃO PAULO

1) ADEMIR VENANCIO DE ARAUJO – EX-DIRETOR DA CPTM – TEM CONTA COM US$ 1,2 MI NA SUIÇA (DINHEIRO ESTÁ BLOQUEADO)

2) ADILSON ANTONIO PRIMO – EX-PRESIDENTE DA SIEMENS NO BRASIL POR DEZ ANOS)

3) ANTONIO KANJI HOSHIKAWA – EX-DIRETOR DA CPTM

4) ANTONIO OPORTO DEL OMO – EX-PRESIDENTE DA ALSTOM DA ESPANHA

5) AGENOR MARINHO CONTENTE FILHO – DIRETOR DA CAF

6) ALBERT FERNANDO BLUM – DIRETOR DAIMLER/CHRYSLER

7) ARTHUR GOMES TEIXEIRA – CONSULTOR E LOBISTA

8) AURÉLIO SURIANI

9) BERND KERNER

10) CARLOS ALBERTO CARDOSO ALMEIDA

11) CESAR PONCE DE LEON CANALEJAS – VICE-PRESIDENTE ALSTOM ESPANHA

12) CLAUDIO ROBERTO PASQUINI ZENELLA – BOMBARDIER

13) DANIEL MORRIS ELIE HUET

14) ISIDRO RAMON FONDEVILLA QUINOMERO – DIRETOR GERAL SETOR DE TRANSPORTE ALSTOM

15) JOÃO ROBERTO ZANIBONI – EX-DIRETOR DA CPTM.

16) JOSÉ ANTONIO LUNARDELLI – EX-DIRETOR DA SIEMENS

17) JOSÉ DE MATTOS JÚNIOR – EX-AUDITOR DA SIEMENS

18) JOSÉ LUIZ LAVORENTE – DIRETOR DE OPERAÇÕES DA CPTM

19) JOSÉ MANUEL ROMERO ILLANA – EX-DIRETOR DA SIEMENS

20) JURGEN BURNOWSKY

21) LUIZ FERNANDO FERRARI – DIRETOR DA ALSTOM

22) MARIANA COLOMBINI ZANIBONI – FILHA DE JOÃO ROBERTO ZANIBONI

23) MARIO MANUEL SEABRA RODRIGUES BANDEIRA

24) MILENA COLOMBINI ZANIBONI – FILHA DE JOSÉ ROBERTO ZANIBONI

25) MASAO SUZUKI – VICE-PRESIDENTE MITSUI

26) MASSIMO ANDREA GIANVINA BIANCHI – PRESIDENTE TTRANS

27) MURILO RODRIGUES DA CUNHA – EX-FUNCIONÁRIO DA CAF

28) PAULO JOSÉ DE CARVALHO BORGES JÚNIOR

29) RAUL MELO DE FREITAS – EX-DIRETOR DA SIEMENS

30) RONALDO CAVALIERI – EX-DIRETOR DA SIEMENS

31) SERGE VAN TEMSCHE – EX-PRESIDENTE DA BOMBARDIER

32) SERGIO DE BONA – EX-DIRETOR DA SIEMENS

33) OLIVIER HOSSEPIAN SALLES DE LIMA – EX-PRESIDENTE DA CPTM, 1999 A 2003

CRIMES ATRIBUÍDOS PELA PF AOS 33 INDICIADOS: CORRUPÇÃO PASSIVA, CORRUPÇAO ATIVA, CARTEL, CRIME LICITATÓRIO, EVASÃO DE DIVISAS, LAVAGEM DE DINHEIRO

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ANTONIO CLÁUDIO MARIZ DE OLIVEIRA

“O indiciamento de Adilson Primo não possui base legal e nem está amparado pelas provas ou mesmo meros indícios constantes do inquérito policial. O seu depoimento, corroborado por outras provas testemunhais, demonstra que na qualidade de presidente da Siemens jamais cometeu qualquer ilicitude, ficando demonstrada a participação, sim, de outros diretores em fatos tidos como delituosos. Assim, a defesa espera que o Ministério Público requeira o arquivamento do referido inquérito quanto Adilson Primo.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA MARCELO MARTINS DE OLIVEIRA

“Como não tivemos acesso ao conteúdo do relatório do inquérito da Polícia Federal não temos como nos manifestar. Só poderemos opinar depois de lermos o relatório.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA EDUARDO CARNELÓS

“O sr. Arthur Teixeira não é e nunca foi lobista, muito menos pagador de propinas. É um engenheiro renomado, hoje atuando como consultor dada sua larga experiência no setor ferroviário. Posso assegurar que o sr. Arthur jamais cometeu qualquer ato ilícito, nem fez parte de cartel.”

REDAÇÃO: FOLHABAIANA | FONTE: ATARDE

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