A Polícia Federal mantém como principal tese de investigação a de que o homem suspeito de dar uma facada no candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro agiu sozinho, apurou o UOL. A motivação foi a discordância de posicionamento político em relação ao candidato.

Na sexta, no dia seguinte ao ataque, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que havia outros dois suspeitos de envolvimento no crime. Um deles é um homem que prestou depoimento na madrugada de quinta para sexta e foi liberado. A identidade do segundo suspeito não foi revelada.

A PF também descartou que uma mulher chamada Aryane Campos, indicada como suspeita por terceiros em redes sociais, esteja envolvida no ataque. Ela tem recebido ofensas e mensagens acusatórias de que seria cúmplice do crime. A mãe de Aryane depôs na manhã desta segunda-feira (10) na superintendência da corporação.

Em nota divulgada nesta segunda pela manhã, a polícia informou que "visa identificar todas as possíveis conexões e motivações do crime, além de esclarecer, em toda a sua extensão, as demais circunstâncias vinculadas ao fato criminoso. Para tal, são realizadas diversas diligências policiais como a coleta de depoimentos, a análise de dados financeiros e de outros dados existentes em imagens, mídias, computadores, telefones e documentos apreendidos".

Na quinta-feira (6), Bolsonaro foi esfaqueado enquanto fazia campanha pelas ruas de Juiz de Fora, Minas Gerais. Ele foi levado à Santa Casa da cidade em estado grave e operado no abdômen. O candidato foi transferido e está internado em São Paulo, onde se recupera dos ferimentos e deve passar por nova cirurgia.

Em fala em vídeo divulgado após o atentado, o principal suspeito do ato, Adélio Bispo de Oliveira, disse que teria atacado Bolsonaro "a mando de Deus". Inicialmente, a defesa dele alegou insanidade mental e disse que pediria a realização de um exame psiquiátrico.

Oliveira foi preso em flagrante pela Polícia Federal e está em um presídio federal em Campo Grande. Ele foi indiciado pelo crime de "atentado pessoal por inconformismo político" com base na Lei de Segurança Nacional. A pena é de 3 a 10 anos de prisão com possibilidade de ser dobrada a pena se detectada pela Justiça lesão corporal grave.

A Polícia Federal tem 10 dias contados a partir de quinta para finalizar o inquérito e apresentá-lo ao Ministério Público Federal em Minas Gerais. O MPF no Estado então avaliará o relatório, poderá pedir novas diligências e, se concordar com o inquérito, oferecer uma denúncia.

Se a linha de investigação se mantiver, a intenção da corporação é encaminhar o inquérito até o final desta semana a fim de evitar a circulação de notícias falsas, como a que envolve Aryane, e trocas de acusações partidárias em meio ao debate eleitoral, apurou a reportagem.

Há a possibilidade de que peça tenha uma extensão do prazo. Após concluído pela PF, o relatório será avaliado pelo MPF no estado, que poderá pedir novas diligências e, se concordar com o inquérito, oferecer uma denúncia.





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