Compartilhar:

Morte suspeita de Anísio Teixeira precisa ser apurada, diz especialista

O professor e especialista na obra do educador e ex-ministro da educação Anísio Teixeira, João Augusto de Lima Rocha, escreve longo e importante artigo hoje no Portal Vermelho em que discute as circunstâncias estranhas da morte do baiano que dedicou sua vida à educação; Rocha afirma que "o corpo do educador chegou ao Instituto Médico Legal, para a necropsia, no final da tarde de 13 de março de 1971, portando uma etiqueta identificadora que não continha o seu nome, mas o de um oficial da Marinha, a saber, João Carlos de Freitas Raulino" e sugere: "isso fica para ser melhor investigado pela Comissão especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, da Presidência da República, que já recebeu o relatório da pesquisa que realizei, no ano de 2017"

15 15UTC maio 15UTC 2018 Às 08:31

Nascido a 12 de julho de 1900, em Caetité-Ba, Anísio Teixeira, denominado o estadista da educação, pelo jurista e ex-primeiro ministro do Brasil Hermes Lima, morreu em 12 de março de 1971, no auge da repressão política levada a efeito pelo governo Médici. Segundo o relatório da CIA, agora revelado, foram 104 as mortes de opositores ao regime, sob custódia do Estado brasileiro, ordenadas diretamente pelo ditador Garrastazu Médici, entre 1969 e 1974. Tenho informações seguras de que Anísio deu depoimento em instalação da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, entre os dias 11 e 12 de março de 1971, este último o dia de sua morte, segundo consta no Auto de Exame Cadavérico, emitido em 13 de março de 1971, pelos legistas João Guilherme Figueiredo e Hygino de Carvalho Hércules, do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro.

Embora não tivesse sido ministro da educação, Anísio comandou, inquestionavelmente, a educação pública brasileira, desde o início da década de 1950, até o momento do golpe, quando exercia, simultaneamente, três cargos públicos: secretário geral da Capes, diretor do Inep e reitor da Universidade de Brasília.

Submetido a inquéritos policiais militares, após o golpe, um deles dizia respeito ao fato de ocupar os três cargos públicos, pois a lei só permitia dois, no máximo. No entanto, ele se livrou do processo, por provar que depositava, religiosamente, no Tesouro Nacional, ao fim de cada mês, a quantia líquida referente a um dos três salários!

Dos outros processos também se livrou, mas já havia sido consumada a aposentadoria compulsória que o afastou, aos 63 anos e na plenitude intelectual, de qualquer interferência na administração da educação brasileira. Ironicamente, depois do golpe militar ele viajou, a convite de universidades norte-americanas, para passar quase dois anos proferindo ensinamentos à elite intelectual do país que foi o mentor do golpe de estado responsável por afastá-lo definitivamente da educação brasileira!

Fonte: Portal Vermelho

Compartilhar:

AVISO: O conteúdo de cada comentário nesta página é de única e exclusiva responsabilidade do autor da mensagem.