Ruas alagadas, campo encharcado, arquibancadas transformadas em cachoeiras. Esse era o cenário em Vitória da Conquista minutos antes do horário do jogo entre o time da casa e o Bahia.

Mas o tempo abriu e o Esquadrão, que em princípio sentiu o clima desfavorável e demorou a acordar para o jogo, fez sua atuação mais segura com escalação alternativa. O triunfo por 3 a 1 foi o primeiro em 2019 sem nenhum titular presente na formação inicial – antes, na mesma situação, havia empatado com Flu de Feira (0 a 0) e Atlético (1 a 1).

Talvez tenha sido decisiva a inspiração extra que o clube ofereceu a reservas e atletas do time B, colocando-os para atuar com numeração de 1 a 11 e os nomes dos heróis do título brasileiro de 1988 nas costas. Tudo como parte das comemorações dos 30 anos da conquista, sacramentada em 19 de fevereiro de 1989.

Deu muito certo, e o sucesso levou o Bahia à liderança provisória do Campeonato Baiano, com a mesma pontuação (11), mas um jogo a mais que Vitória (2º) e Bahia de Feira (3º). O próximo compromisso do Tricolor é pela Sul-Americana. Vai ao Uruguai para, na quinta, tentar a vaga após a derrota para o Liverpool por 1 a 0 na ida.

Boa drenagem

Com 18 minutos de atraso para o início da partida por conta do temporal em Conquista, o Bahia mostrou letargia maior e demorou a mostrar alguma coisa no pesado gramado do Lomanto Júnior – que, para fazer justiça, apresentou competente sistema de drenagem.

E o Tricolor só não foi vazado porque faltou pontaria ao atacante Arthur Caculé, do Bode. Na primeira chance, aos oito minutos, ele apanhou uma sobra e chutou de primeira. Passou Perto. Na segunda, aos 21, aproveitou cruzamento em cobrança de falta para cabecear com perigo.

Ele ainda teria outra oportunidade aos 39 minutos, quando ficou com a bola após furada tosca do lateral tricolor Matheus Silva, mas demorou a finalizar e acabou tendo seu chute desviado. Nesse momento, porém, o Bahia já vencia o jogo.

Conseguiu a vantagem em seu lance agudo inaugural no embate, aos 29 minutos. Foi quando Flávio honrou a camisa 10 de Zé Carlos, artilheiro do Bahia no Brasileiro de 1988, ao dar lindo lançamento para Iago. Ele avançou e, mesmo sem ângulo, balançou a rede. Nas costas, tinha o número 7 de Gil, autor do gol da classificação à final de 30 anos atrás no histórico 2 a 1 sobre o Fluminense, com mais de 110 mil torcedores na antiga Fonte Nova.

Mesmo com um futebol apagado na primeira etapa, o Esquadrão quase abriu vantagem quatro minutos depois. Matheus Silva cruzou e Caíque cabeceou para fora.

À frente no marcador e mais equilibrado em campo, o Bahia tomou as rédeas da partida na etapa complementar. Tanto é assim que enfileirou chances de gol logo nos minutos iniciais. Na primeira, aos nove, Iago arrancou pela direita e tocou com açúcar para Caíque, mas o garoto de 18 anos chutou por cima.

Houve leve desvio e, na cobrança de escanteio, saiu o segundo tento do Esquadrão. Paulinho cruzou e Nilton subiu para cabecear com precisão. Dois minutos depois, aos 12, Caíque roubou bola no campo de ataque, avançou só com o goleiro à frente, mas bateu fraco e Geovane conseguiu defender com o pé.

Com tanto conforto, o Bahia até se deu ao luxo de recuar e chamar o Bode ao campo de ataque. Armadilha armada. Quando ia à frente, o Tricolor ameaçava a meta conquistense. Assim, aos 23 minutos saiu o gol que fechou o caixão. Em blitz ofensiva do Esquadrão, Fernando Medeiros pegou o rebote e mandou bom chute no travessão. A bola bateu em Silvio e, aparentemente, cruzou a linha antes de o mesmo Silvio afastar. O árbitro confirmou o gol contra. Fernando comemorou muito, pois vivia dia especial, com o nome de Bobô nas costas e jogando ao lado do irmão gêmeo, Flávio – fato inédito para os dois e para o clube.

O Bode ainda diminuiu seis minutos depois, quando Tatu cruzou, Le Petit desviou de cabeça e Patuta venceu o goleiro Anderson. Nada que colocasse em risco o triunfo tricolor.





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