Embalado pelo verão, a Beirute traz mais um grande show de forró para Itabela. Desta vez o jovem empresário, Bruno Barbosa, foi ousado e contratou o maior e mais antigo Trio de Forró Pé de Serra. O Trio Nordestino desembarca em Itabela nesta sexta-feira (04) para comandar um dos shows mais esperados do ano pelos itabelenses.

A Beirute será palco dessa grande festa que fará parte da turnê dos 60 anos de formação do Trio.

Ao completar 60 anos de carreira, o Trio Nordestino consagra-se como um dos maiores ícones vivos do forró. O trio original conseguiu gravar seu primeiro disco graças ao compositor baiano Gordurinha e teve como padrinho o Rei do Baião, Luiz Gonzaga. “Até hoje ainda bebemos da fonte dele”, disse Beto Sousa, com um orgulho compreensível.

Doze anos depois, o grupo já tinha vendido mais de um milhão de discos.

No ano passado, o Trio Nordestino foi indicado ao Grammy Latino e este ano recebeu homenageado no Troféu Gonzagão, espécie de Oscar do Forró. Nem sempre foi assim. Luiz Mário ressaltou que, nos anos 1960, havia muito preconceito. “O forró era discriminado. Diziam: lá vem o paraíba”, lembrou.

O Trio fez uma turnê na Oceania, Japão, Estados Unidos e Europa.

UM POUCO DA HISTÓRIA DO TRIO

O Trio Nordestino original foi formado no início de 1958 por Lindú (voz e sanfona), Coroné (zabumba) e Cobrinha (triângulo). Na época, tiveram a ajuda do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. O nome Trio Nordestino foi dado por Helena, esposa de Luiz. Este foi o Trio Nordestino original, seguido depois por todas as variações do trio comentadas neste artigo até a formação atual.

Fazendo o circuito de casas noturnas de Salvador, quando estavam trabalhando para a boate Clock, conheceram o recém-contratado Gordurinha, músico e compositor que iria abrir as portas do Rio de Janeiro. Com a promessa de gravar um disco, Gordurinha levou-os a Odeon Records e a RCA, onde não tiveram oportunidade. Numa nova tentativa, desta vez na Copacabana Discos, passaram no teste dirigido por Nazareno de Brito. Contratados, gravariam dali a dez dias um álbum completo com 12 músicas.

Com o sucesso da canção e de "Chupando gelo", presentes no primeiro disco, o Trio passou a gravar um LP por ano, lançando vários sucessos. Famosos, partiram para o Nordeste junto com Luiz Gonzaga por 75 dias, para fazer a propaganda de uma marca de cachaça. Foi nessa ocasião que, jantando no Recife, Gonzagão relembrou o pedido de ajuda feito pelo Trio no auditório da Rádio Mayrink e disse: Se eu tivesse ajudado, vocês teriam se acomodado e hoje não teriam alcançado a marca de vendas que ultrapassa a minha. Desde então Gonzagão passou a ajudá-los e uma longa amizade foi selada. Depois de 11 obras na Copacabana Discos, migraram para a CBS em 1967. Em 1969, Lindú sofreu um acidente de carro que requeria mais de um ano de tratamento. Mesmo assim, a nova gravadora resolveu dar continuidade ao trabalho, levando o sanfoneiro de ambulância para os estúdios de gravação. Em 1970 saiu o disco com a música "Procurando tu", de Antônio Barros, que se transformou no maior sucesso do Trio Nordestino, alavancando mais de 1 milhão de cópias vendidas e levando-os das paradas sertanejas para as rádios dos mais diversos segmentos em todo o país. O sucesso nacional levou o Trio a permanecer no primeiro lugar do programa Sílvio Santos, na TV, durante 90 dias e a receber da CBS o troféu Chico Viola pelo segundo lugar na vendagem de discos de 1970. O primeiro lugar foi de Roberto Carlos.

O sucesso continuou durante toda a década e trouxe Luiz Gonzaga e o forró de volta às principais rádios. Ainda foram responsáveis pelo enriquecimento do ritmo, introduzindo no forró de raiz (zabumba, triângulo, sanfona) uma segunda sanfona e a bateria. Em 1982, já de volta à Copacabana Discos, Lindú morre devido a uma insuficiência renal. Decididos a continuar com o forró, em nome de um pacto feito quando tinham acabado de formar o Trio Nordestino, Coroné e Cobrinha encontram em Genaro o substituto para o sanfoneiro. Assim atravessaram a década de 80, até a saída de Genaro, no início dos anos 90, sendo substituído por Beto Souza, afilhado de Lindú. Em 1994, o Trio Nordestino sofreu outra baixa. Dessa vez, um câncer de intestino levou Cobrinha e seu triângulo. Deprimido, Coroné quase abandona a zabumba. Porém, um sonho e a lembrança do pacto feito há mais de 30 anos em nome do forró, o manteve na estrada. O substituto de Cobrinha foi encontrado em Luís Mário, que outrora era adepto do rock, mas que herdou a voz e o talento do pai, Lindú, e se bandeou de vez para o forró.

Pouco tempo depois, em 2000, confirmando a profecia de Gonzagão quando estava perto da morte, o forró voltou a ser sucesso nacional, alavancado por Gilberto Gil e os hits da trilha sonora do filme Eu, Tu, Eles e com o surgimento de grupos novos como o Falamansa e o Forróçacana. Isso permitiu que o Trio Nordestino voltasse às paradas com sua nova formação, prestigiada por um público renovado e jovem. Levados pela nova onda, foram quatro vezes à Europa, onde fizeram concorridos shows em Paris, no famoso restaurante Favela Chic, e em Londres, por intermédio do Bar do Luiz, frequentado pela colônia brasileira.

Em 2017, o álbum Trio Nordestino Canta o Nordeste foi indicado ao Grammy Latino de 2017 de Melhor Álbum de Raizes Brasileiras.

Integrantes

Formação Original
Lindú - voz e sanfona
Coroné - zabumba
Cobrinha - triângulo
Formação atual
Luís Mário - triângulo e voz
Beto Souza - sanfona
Jonas Santana - zabumba

Discografia

1963 - Trio Nordestino (Chupando Gelo)
1964 - Pau-de-Arara é a Vovózinha
1965 - Aqui Mora o Xaxado
1966 - O Troféu é Nosso
1966 - Prece ao meu Sertão
1967 - Vamos Xamegá
1968 - É Forró que Vamos Ter
1969 - Nós Estamos na Praça
1970 - No Meio das Meninas
1971 - Ninguém Pode com Você
1972 - Renovação
1973 - Primeiro e Único
1974 - Trio Nordestino (Chililique)
1975 - Forró Pesado
1976 - O Alegríssimo Trio Nordestino
1977 - Estamos Aí para Balançar
1978 - Os Rouxinhos da Bahia
1979 - Trio Nordestino e o Homem de Saia
1980 - Corte o Bolo
1981 - Ô Bicho
1982 - Dia de Festejo
1983 - Amor para Dar
1984 - Com Amor e Carinho
1985 - Forró de Cima a Baixo
1986 - Forró Temperado
1987 - Forró de Categoria
1988 - Na Intimidade do Trio Nordestino
1989 - Festa do Povão
1990 - Trio Nordestino Somos Nós
1991 - Vale a Pena Ouvir de Novo, vol. 1
1994 - Vale a Pena Ouvir de Novo, vol. 2
1997 - Xodó do Brasil
1999 - Nós Tudo Junto
2001 - Balanço Bom
2003 - Baú do Trio Nordestino
2004 - Baú do Trio Nordestino, vol. 2
2006 - Meu Eterno Xodó
2007 - Nova Geração
2008 - 50 Anos
2009 - O Povo Quer Forró
2011 - Tá Ligado Doido
2012 - A Bahia do Trio
2017 - Canta o Nordeste





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